A Igreja Metodista, à semelhança das primeiras comunidades cristãs, batiza crianças. Reconhecemos que as Igrejas evangélicas que praticam o Batismo Infantil, como nós metodistas, são em menor número, por isso reconhecemos que os membros de nossas igrejas recebem uma pressão muito grande, no sentido de não batizarem seus filhos, por parte de outros evangélicos com os quais convivem diariamente.
O argumento mais utilizado é que as crianças não podem exercer uma fé pessoal em Jesus Cristo, aceitando-o como Senhor e Salvador, e por isso não devem ser batizadas. O principal texto bíblico usado é o que diz: “O que crer e for batizado será salvo; mas o que não crer será condenado” (Mc 16.16). Se observarmos o contexto desta passagem, considerando os versículos que antecedem e os que seguem, percebemos que Jesus está se referindo a adultos que ouvem, entendem e rejeitam o Evangelho. Este texto não deve ser aplicado à compreensão da prática do Batismo Infantil, mas à incredulidade e dureza do coração dos adultos que ouviram os discípulos mas não creram.
Na Bíblia, encontramos no testemunho do Evangelho de Marcos, ou nos demais Evangelhos Sinóticos (Mateus e Lucas): “Então lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis porque dos tais é o Reino de Deus. Em verdade vos digo: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, de maneira nenhuma entrará nele. Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava” (Mc 10.13-16).
Neste texto Jesus afirma que as crianças são membros do Reino de Deus e, além disto, padrão para ingresso no Reino de Deus. A criança já entrou na nossa frente no Reino, sobre este parâmetro foi que Jesus deu também um sentido e dimensão escatológica à criança: “E qualquer que receber, em meu nome, uma criança tal como esta, a mim me recebe”.
Em face a esta evidência cabe a pergunta semelhante à que Pedro fez aos seus companheiros na casa de Cornélio: “Porventura pode alguém recusar a água, para que sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?” (At 10.47). Em cima da lógica de Pedro, ou seja, como negar o símbolo que é o batismo com água, àqueles a quem Deus já deu a essência que era o próprio Batismo com Espírito Santo? Sobre isto nós perguntamos: como negar o Batismo às crianças quando Jesus, o Senhor da Igreja, declara que delas é o Reino, ora, não é o Batismo um ritual simbólico de iniciação na comunidade do Reino de Deus: a Igreja?
Sendo assim, que direito nós, os adultos, temos de impedir o acesso de uma criança ao Batismo, quando Jesus a declara como membro natural do Reino de Deus?

COLEGIO EPISCOPAL DA IGREJA METODISTA. Carta pastoral sobre os sacramentos. São Paulo: Cedro, 2001. 39 p. (Biblioteca vida e missão, pastorais).